Resultados provis�rios do

Recenseamento da Pr�tica Dominical de 2001

 

Por iniciativa da Confer�ncia Episcopal Portuguesa, realizou-se, em todo o territ�rio portugu�s, uma opera��o de contagem do n�mero de pessoas com 7 ou mais anos de idade que estiveram presentes nas celebra��es dominicais do Domingo dia 11 de Mar�o de 2001, incluindo as feitas na v�spera. Este recenseamento fez-se tanto nas celebra��es eucar�sticas (Missas), como nas Celebra��es da Palavra ( por vezes tamb�m designadas por  Assembleias Dominicais na Aus�ncia de Presb�tero) que, em v�rios locais, foram uma forma de os crist�os celebrarem comunitariamente aquele Domingo, em virtude de n�o haver um padre dispon�vel para presidir � celebra��o da Eucaristia. O recenseamento permitiu contar o n�mero de pessoas presentes, assim como o n�mero de pessoas que comungaram em cada celebra��o, segundo o sexo e o grupo et�rio. Opera��es semelhantes foram feitas, sensivelmente na mesma altura do ano, em 1977 e 1991.

Enquanto se aguarda a publica��o, pelo Instituto Nacional de Estat�stica, dos resultados definitivos do �ltimo Recenseamento Geral da Popula��o portuguesa, feito igualmente em Mar�o de 2001, sem o que n�o � poss�vel concluir o apuramento dos resultados definitivos do Recenseamento da Pr�tica Dominical, muitas Dioceses j� foram dando not�cia dos resultados que foi poss�vel apurar, at� agora, do Recenseamento da Pr�tica Dominical de 2001, nas respectivas �reas, e promoveram diversas ac��es em ordem � divulga��o e an�lise desses resultados.

O apuramento dos resultados do Recenseamento da Pr�tica Dominical de 2001, e da sua compara��o com os recenseamentos similares de 1977 e 1991, respeitantes ao conjunto do pa�s, foi entregue ao Centro de Estudos Sociais e Pastorais da Universidade Cat�lica Portuguesa. Da sua �ltima vers�o, ainda com o estatuto de resultados provis�rios, � poss�vel extrair as conclus�es que a seguir se apresentam.

O n�mero de praticantes, isto �, de pessoas que estavam presentes e foram recenseadas nos locais e nas celebra��es dominicais em que se fez o referido recenseamento, tem vindo a diminuir desde 1977: no intervalo de 14 anos entre 1977 e 1991, registou-se uma diminui��o de cerca de 197.000 praticantes, correspondente a -8%; entre 1991 e 2001, houve uma diminui��o de cerca de 310.000 praticantes, ou seja, -14%. Isto �, entre 1977 e 2001, observa-se uma quebra de cerca de 507.000 praticantes dominicais (-21%) e verifica-se que a diminui��o de praticantes se intensificou no decurso do per�odo observado.

Entre 1991 e 2001, a baixa do n�mero de praticantes deu-se em quase todas as Dioceses do pa�s, excepto nas do Sul do Continente (Algarve, Beja, �vora e Set�bal).

Os praticantes s�o maioritariamente do sexo feminino, e essa caracter�stica acentuou-se ligeiramente entre 1977 e 2001, tendo passado de 61 para 64% de mulheres; ou seja, a evolu��o do n�mero de praticantes de cada sexo, ao longo dos tr�s recenseamentos, caracteriza-se por uma quebra mais pronunciada dos homens.

A composi��o et�ria dos praticantes sofreu uma altera��o significativa no per�odo observado, no sentido de um n�tido envelhecimento, de uma forma mais acentuada do que o que acontece na popula��o portuguesa. Isto �, verificou-se, ao longo do per�odo observado, um decr�scimo acentuado de praticantes das duas primeiras classes et�rias (7-14 e 15-24 anos), e um forte crescimento do n�mero de praticantes com mais de 54 anos de idade. As classes et�rias interm�dias (25-39 e 40-54 anos) apresentaram um decr�scimo moderado. Em 2001, a classe et�ria com menor n�mero de praticantes foi a dos 15-24 anos, enquanto nos recenseamentos anteriores tinha sido a dos 25-39 anos.

Os quadros seguintes ilustram a mudan�a registada quanto � composi��o dos praticantes por grupos et�rios, nos tr�s recenseamentos realizados.


Q.1. Distribui��o percentual dos praticantes por idades

Anos

7-14

15-24

25-39

40-54

55-69

70 e +

1977

24.2

18.1

14.9

18.5

16.7

  7.6

1991

18.6

15.4

14.4

18.8

21.5

11.3

2001

14.3

11.5

14.2

19.5

24.2

16.3

 


Q.2. �ndice do n�mero de praticantes de cada classe et�ria. Base:1977=100

 

Anos

7-14

15-24

25-39

40-54

55-69

70 e +

1977

100

100

100

100

100

100

1991

  71

  78

  89

  93

118

137

2001

  47

  50

  75

  83

114

170

 

 

Verificou-se que a quebra do n�mero de praticantes jovens (15-24 anos) foi, em termos relativos, maior nas raparigas do que nos rapazes.

� claro que a descida do n�mero de praticantes dos dois primeiros grupos et�rios reflecte a quebra do n�mero de adolescentes e jovens que tem acontecido na popula��o portuguesa, mas ultrapassa-a. Assim, de acordo com as informa��es dispon�veis, o n�mero de crian�as at� aos 14 anos de idade sofreu, em Portugal,  uma quebra de 16%, entre 1991 e 2001, e o n�mero de jovens dos 15 aos 24 anos uma descida de 8%, no mesmo per�odo; no que respeita aos praticantes, registou-se uma diminui��o de 34% nos 7-14 anos e de 36% nos 15-24 anos, na mesma d�cada.

Em consequ�ncia das mudan�as assinaladas, a distribui��o dos praticantes pelas classes definidas pelo cruzamento das vari�veis sexo e idade alterou-se significativamente entre 1977 e 2001, como se v� no quadro seguinte, conjugando-se os efeitos da feminiza��o e do envelhecimento dos praticantes. Assim, as mulheres com 40 e mais anos de idade que, em 1977, eram 27.4% dos praticantes, passaram a constituir 40% dos praticantes recenseados em 2001.

Q.3. Distribui��o percentual dos praticantes por sexos e idades

 

1977

1991

2001

H 7-14

11.0

8.5

6.6

H 15-24

6.8

5.8

4.5

H 25-39

5.4

4.8

4.9

H 40-54

6.8

6.4

6.5

H 55-69

6.1

7.3

8.1

H 70 e +

2.5

3.8

5.5

M 7-14

13.2

10.1

7.7

M 15-24

11.4

9.6

7.0

M 25-39

9.4

9.6

9.3

M 40-54

11.8

12.3

13.0

M 55-69

10.6

14.3

16.1

M 70 e +

5.0

7.5

10.8

 


O n�mero de comungantes (praticantes que manifestaram a inten��o de comungar na celebra��o em que foram recenseados) desceu ligeiramente (-6%) em 2001, relativamente ao recenseamento de 1991. Entre 1977 e 1991, fora registado um grande acr�scimo do n�mero de comungantes, na ordem dos 58%.

Os comungantes t�m sido, numa  grande maioria, na ordem dos 70%, mulheres. No entanto, entre 1991 e 2001, o aumento relativo do n�mero dos comungantes homens foi superior ao das mulheres.

Verifica-se que o n�mero de comungantes das duas primeiras classes et�rias desceu em 2001, em rela��o a 1991, ao passo que em todas as outras classes de idade se registou um aumento, especialmente forte nos mais idosos.

N�o obstante a descida do n�mero de comungantes de 2001 em rela��o a 1991, a percentagem de comungantes no total dos praticantes subiu entre 1991 e 2001, se bem que menos do que entre 1977 e 1991, conforme o quadro a seguir.

Q.4. Percentagem de comungantes no total de praticantes

Anos

Comungantes

1977

29,0

1991

49.9

2001

54.6

 

A percentagem de comungantes em rela��o aos praticantes foi, nos dois �ltimos Recenseamentos da Pr�tica Dominical, maior nas mulheres do que nos homens, tendo atingido 47% em 1991 e 58% em 2001; o aumento da percentagem de comungantes nos homens foi, em termos relativos, superior � das mulheres. No recenseamento de 1977 n�o foi recolhida informa��o sobre o sexo e a idade dos comungantes.

A percentagem de comungantes foi menor nos grupos et�rios interm�dios, dos 25 aos 54 anos, do que nas outras classes de idade. Comparando os valores dessa percentagem nos dois �ltimos recenseamentos, verifica-se que ela aumentou, de 1991 para 2001, em todos os grupos de idade, mas mais nos tr�s primeiros, em especial na classe dos 15-24 anos, e nos homens dos 15-24 e dos 25-39 anos, conforme o quadro seguinte.


Q.5. Percentagem de comungantes nos praticantes, por sexos e idades, em 1991 e 2001

 

1991

2001

H 7-14

47.2

63.3

H 15-24

28.4

47.5

H 25-39

21.2

33.8

H 40-54

26,0

35.4

H 55-69

32.2

41.5

H 70 e +

39.5

50.6

M 7-14

51.3

66.1

M 15-24

38,0

54.6

M 25-39

35.2

43.7

M 40-54

42.3

50.1

M 55-69

52.1

62.2

M 70 e +

61.5

70.9

 

 
Quanto ao n�mero de locais de culto e de celebra��es em que se realizaram os recenseamentos, apurou-se que, entre 1991 e 2001, diminuiu o n�mero de lugares de culto

(cerca de menos 1.000) e de celebra��es eucar�sticas (cerca de menos 1.400), ao contr�rio do que sucedera entre 1977 e 1991, conforme o quadro seguinte.

 

Q.6. N�mero de lugares de culto, de Celebra��es Eucar�sticas e  de Celebra��es da Palavra sem Padre

Anos

Lug.culto

C.eucar.

C.Pal.s.P.

Tot. Cel.

1977

7866

11729

 

11729

1991

8067

11963

 

11963

2001

7095

10545

165

10710

 

Como o Quadro 6 ilustra, as Celebra��es da Palavra sem Padre s�o uma forma de pr�tica dominical muito pouco difundida no pa�s, correspondendo a apenas 1,5% do total das celebra��es dominicais onde se fez o Recenseamento da Pr�tica Dominical em 2001.

O n�mero m�dio de praticantes por lugar de culto e por celebra��o tem vindo a diminuir ao longo dos recenseamentos realizados, atingindo, em 2001, os valores de 273 praticantes por lugar de culto e 181 praticantes por celebra��o.

Manuel Lu�s Marinho Antunes