Recenseamento e pastoral paroquial

O Conselho Pastoral da par�quia de S. Jos�, em Coimbra, aproveitou a realiza��o do Recenseamento � Pr�tica Dominical de Mar�o de 2001, para obter mais alguns dados al�m dos m�nimos oficiais. Assim, lan�ou um inqu�rito que decorreu de forma paralela, para saber, por exemplo, a zona de resid�ncia (em cada uma das �reas em que de subdivide a Par�quia ou fora da Par�quia) ou o n�vel de escolaridade.

Uma primeira leitura dos resultados veio revelar que se mant�m o n�mero de participantes, em rela��o ao Recenseamento de 1977, o que � primeira vista, parece consolador. Acontece, por�m, que a Par�quia, em 1977, tinha 7 500 fogos, n�mero que em 2001, deveria ultrapassar os 15 000 fogos. Ou seja, a popula��o duplicou nestes vinte e quatro anos, atingindo cerca de 40 000 habitantes e a presen�a nas missas dominicais se fixou (desceu para) nos 10%. Em contrapartida, o n�mero de percentagem de comungantes passou de 1 208 para 1 880.

Por idades dos participantes, encontr�mos n�meros interessantes: 308, dos 7 aos 14 anos (das 800 crian�as que frequentam a catequese!); 389, dos 15 aos 24 (mais do que quando est�o dependentes dos pais); 455, dos 25 aos 39 (a idade em que trazem os filhos � catequese); 601, dos 40 aos 54; 863, dos 55 aos 69; 668, com mais de 70 anos.

Se � verdade que dos 25 aos 39 o n�mero de participantes n�o � muito grande, � preciso ter em conta que n�o � gente de costas voltadas � Igreja, uma vez que � a idade em que os filhos andam na catequese e t�m o cuidado de os trazer (a Par�quia tem mais de 800 crian�as na catequese, com grupos todos os dias da semana). A idade madura, a partir dos 55 anos � realmente a que est� mais ligada � Igreja. Duas raz�es foram apontadas: maior for�a da tradi��o familiar e mais tempo dispon�vel.

A mobilidade � fen�meno marcante na sociedade dos nossos dias, o que � particularmente significativo numa Par�quia como a de S. Jos�. Da� o grande n�mero de pessoas que v�o passar o fim de semana �s terras de origem e o facto constatado de que as pessoas procuram os hor�rios, locais e celebra��es que mais lhes conv�m ou mais lhes agradam. Atente-se que � de 12,8% o n�mero de participantes nas missas dominicais que n�o reside na par�quia.

Um outro dado importante veio revelar o inqu�rito: a missa n�o � mais simples rotina de ignorantes, de "gente simples" ou sem forma��o escolar. Sem estudos aparecem apenas 4,8% dos participantes, ao passo que com curso superior a percentagem global � de 33,24%. Mais ainda: na missa das 19,00h de Domingo, a percentagem de pessoas com curso superior foi de quase 50% (46,90%), com uma percentagem assinal�vel e maiorit�ria de jovens.

A leitura destes resultados levou o Conselho Pastoral, antes de mais, a dar gra�as a Deus pelo n�mero e qualidade dos participantes nas missas dominicais. Concluiu que j� n�o � a rotina, j� n�o � o medo do inferno, nem o "domingo sem missa n�o � domingo para mim", que motivam as pessoas. Um especialista de sociologia religiosa explicava h� tempos: "Quando eu era pequeno, no s�bado � noite, o meu pai dizia: "Amanh� vamos � missa das 10h, a Santa Cruz". Estava dito. Ningu�m ousava discordar. E todos iam. Agora, ao s�bado � noite, digo aos meus filhos: "Amanh�, os pais v�o � missa das 10h a Santa Cruz. Quem quer acompanhar? A m�e pergunta quem almo�a em casa?". Cada filho d� a sua desculpa e vai se quer, onde quer e quando quer."

Menos participantes, sim, sem d�vida. Mas mais conscientes. V�o os que querem, quando e onde querem.
Da� conclui o Conselho Pastoral: � preciso despertar o "apetite", dar motiva��es �s pessoas. Com celebra��es mais vivas e participadas. Com maior aten��o aos c�nticos, suportados por um bom coro, mas ensaiados e cantados por toda a assembleia.

Maior aten��o � especificidade da comunidade celebrante: Ora��es dos fi�is preparadas para cada domingo, sem ficar amarrados aos livros, que s�o for�osamente gen�ricos. E pedem aos padres homilias dirigidas para as pessoas presentes, inseridas na sociedade real, apontando propostas do Evangelho para as situa��es vividas pelos presentes. E sobretudo, dar relevo � presen�a de Jesus Cristo, aquele que nos diz: "N�o tenhais medo. Eu estarei sempre convosco".
� Ele a raz�o da nossa esperan�a.

P. Jo�o Castelhano
P�roco de S. Jos�, Coimbra