RPD - Lamego

Uma proposta pastoral a partir da pr�tica dominical

Partindo da consci�ncia teol�gica e pastoral da centralidade da Eucaristia no viver da Igreja, ningu�m estranha que se fa�a da pr�tica dominical um dos crit�rios da solidez e lucidez da F� e da firmeza e coer�ncia do testemunho crist�o dos cat�licos.
Assim, em Portugal, � esta j� a terceira vez que se realiza um recenseamento da pr�tica dominical (1977 � 1991 � 2001), permitindo-nos obter alguns indicadores da assiduidade dos cat�licos das nossas dioceses � Eucaristia dominical e � Comunh�o, compreender comparativamente as altera��es e as diferen�as sentidas nestas tr�s �pocas e aferir mais objectivamente outros dados, como sejam a idade dos participantes ou a diversidade da pr�tica dominical por Dioceses, Par�quias, Zonas ou Regi�es do Pa�s.
A Diocese de Lamego insere-se na globalidade das Dioceses do Norte de Portugal que v�em diminuir a percentagem de presen�a na Eucaristia e aumentar a percentagem de Comunh�es em rela��o �s presen�as na Eucaristia.
Enquanto em 1977 t�nhamos 44,6 % de participantes na Eucaristia, em 1991 s� 41,2 % e em 2001 apenas 37,1 % da popula��o diocesana participaram na Eucaristia dominical.
Em sentido contr�rio vemos aumentar a percentagem de Comunh�es em rela��o �s presen�as na Eucaristia que era de 19,1 % em 1977, de 43,8 % em 1991 e de 46,6 % em 2001, sendo de relevar a duplica��o sentida entre os dois primeiros recenseamentos que n�o deixa de ser um indicador a exigir aprofundada an�lise da mudan�a social e da vida eclesial e ac��o pastoral diocesana nestes �ltimos vinte e cinco anos.
Pr�xima de todos as Dioceses do interior do Pa�s, sem litoral e sem grandes ind�strias e em paralelo com todas as zonas rurais a bra�os com o permanente fluxo migrat�rio, a Diocese de Lamego viu nestas tr�s d�cadas a sua popula��o reduzir em n�mero e envelhecer em idade.
N�o se sentiram, por�m, grandes diferen�as entre o todo diocesano e o que aconteceu nos diversos arciprestados e nas diferentes par�quias. Atendendo a que, sociologicamente, n�o h� uma grande diferencia��o na textura social diocesana, que � eminentemente rural, dado que apenas existem na Diocese duas cidades de pequena dimens�o, sente-se uma certa homogeneidade diocesana, apenas alterada por algumas raras diferen�as de �ndole muito circunstancial.
Refira-se, ainda, que nem sempre tem sido f�cil o estabelecer da percentagem da participa��o na Eucaristia em rela��o com a popula��o local na medida em que apenas em 1991 e em 2001 houve coincid�ncia com os Censos da Popula��o a n�vel nacional, o que n�o acontecera em 1977. Por outro lado, a popula��o da Diocese de Lamego manifesta uma n�tida variabilidade ao ritmo das diferentes �pocas do ano, merc� dos circuitos constantes da emigra��o tempor�ria e sazonal que faz deslocar, em perman�ncia muitos dos habituais residentes na �rea diocesana para o estrangeiro ou para diferentes zonas do nosso pa�s. Acresce ainda a dificuldade quando os Arciprestados n�o coincidem com os Concelhos como acontece em Castro Daire, Cinf�es, Vila Nova de Foz C�a e Vila Nova de Paiva.
Mais do que pretextos de alguma pretensa justifica��o dos n�meros, estes por si s� explicam-nos que somos uma Diocese que deve compreender as mudan�as sociais, culturais e religiosas que aqui se operam e entender as exig�ncias e implica��es pastorais que daqui adv�m. N�o se pode aceitar a diminui��o da pr�tica dominical como um fatalismo ou uma tend�ncia de irreversibilidade como se de uma constante sociol�gica se tratasse. Sabemos que a fronteira entre o rural e o urbano se esbateu e com isso j� chegou �s nossas aldeias o confronto imperativo entre a viv�ncia do Domingo como Dia do Senhor e a ocupa��o densa e o aproveitamento l�dico do Domingo como tempo de lazer, de desporto e de passeio ou como romagem insaci�vel e obrigat�ria aos grandes Centros de Consumo.
Mas sabemos, tamb�m, que a nova evangeliza��o passa necessariamente pela valoriza��o do Domingo como Dia do Senhor e para o Senhor, porque s� assim ser� Dia do Homem e para o Homem, Dia da Fam�lia e para a Fam�lia, Dia da Comunidade e para a Comunidade. Urge por isso semear no cora��o crente dos crist�os o sentido do Domingo e a centralidade da Eucaristia.
Mais do que fazer da participa��o na Eucaristia do Domingo uma pr�tica religiosa ou uma institui��o social importa que seja uma convic��o pessoal, consciente de que o testemunho de uns � incentivo ao crer de outros. E assim se constr�i Igreja reunida � volta do Altar para celebrar e viver a Eucaristia, centro e v�rtice da Liturgia.
Conhecidos que sejam os dados oficiais dos Censos da Popula��o de 2001, a Diocese de Lamego prop�e-se fazer um estudo aprofundado e comparativo do Recenseamento da Pr�tica Dominical e a sua variabilidade a n�vel de sexo e idade dos participantes sem nunca esquecer um outro elemento que se refere ao n�mero de Celebra��es e aos lugares de culto. Algumas das nossas Eucaristias dominicais n�o t�m 50 participantes, sendo a m�dia de participa��o por Eucaristia celebrada pouco superior a 100 pessoas. Tamb�m aqui � for�oso repensar a nossa ac��o e a nossa miss�o, o Domingo dos Sacerdotes e o seu minist�rio de servi�o no meio do Povo de Deus disperso por pequenas e desertificadas aldeias do Douro e da Serra.
Iniciativas v�rias, tamb�m neste campo, revelam-nos para l� do sentido que o Esp�rito de Deus e Alma da Igreja d� ao Seu Povo e �queles que o servem, uma imensa criatividade pastoral por parte de sacerdotes e leigos que querem fazer do Domingo verdadeira Escola da P�scoa onde se aprende, vive, celebra, professa e testemunha a nossa alegria de sermos disc�pulos de Jesus Cristo � maneira dos Ap�stolos.

Mons. Ant�nio Francisco
Diocese de Lamego

Presen�as na Eucaristia e comunh�es em rela��o � popula��o residente

Per�odo

1977

1991

2001

Popula��o Residente H-M

177.805

151.945

145.000

Presen�as na Eucaristia H-M

79.424

62.540

53.790

Total de Comunh�es H-M

15.157

27.390

25.077

% de Presen�as em rela��o � popula��o residente

44.60%

41.20%

37.10%

% de Comunh�es em rela��o �s presen�as

19.10%

43.80%

46.62%