Import�ncia pastoral da beatifica��o dos Pastorinhos


Os nossos Bispos, na sua carta pastoral com data de 25 de Mar�o, referente � gra�a da beatifica��o dos Pastorinhos, j� nos convidaram a haurir desta solenidade, deste acontecimento eclesial, muitas li��es para a nossa vida pessoal e comunit�ria, quer essa comunidade seja a fam�lia, a par�quia, a comunidade religiosa, a comunidade diocesana, a pr�pria Igreja em Portugal. O medo que todos sentimos, � que a beatifica��o n�o esteja a ser preparada nas "comunidades bases", nas fam�lias, nas escolas, nas catequeses, nos movimentos apost�licos, nas par�quias e fique reduzida a uma solene cerim�nia, em F�tima, com a presen�a do Papa. E se for assim, o impacto pastoral n�o ser� t�o grande como seria de desejar. Mas uma beatifica��o, como acontecimento eclesial, ter� que ter um impacto din�mico na vida, no cora��o nas estruturas crist�s e eclesiais. � para isso que temos mais dois beatos nos altares, � para isso que as suas vidas devem ser interpela��o, � para isso que as suas li��es devem ser ouvidas e colocadas em pr�tica.

Mem�ria obrigat�ria ou festa lit�rgica
A celebra��o anual do dia dos beatos deveria ser, pelo menos, mem�ria obrigat�ria em todas as dioceses de Portugal. N�o havia de haver um ano em que a celebra��o n�o fosse preparada e vivida com intensidade, procurando todos aprender com os Pastorinhos a amar mais e a melhor servir a Deus e � Igreja. Memorial do amor de Deus, memorial da vida e das virtudes do Francisco e da Jacinta, convite � nossa santidade pessoal e comunit�ria. Todas as comunidades paroquiais, atrav�s de voz dos seus pastores, numa Eucaristia ou noutra celebra��o, deviam ter a gra�a de recordar, cada ano, o dom que Deus nos concedeu dando-nos, atrav�s da voz da Igreja, estes dois novos beatos, e a gra�a de aprender com eles a caminhar na santidade.

Encarna��o do Evangelho
Os Pastorinhos, como beatos, s�o um evangelho vivo, s�o encarna��o do Evangelho. Da� que s�o modelo de vida, de ac��o pastoral e eclesial. Contemplar as suas virtudes remete-nos ao Evangelho, que � Palavra que salva e liberta, que converte e purifica. Aplicar � vida pessoal, familiar e paroquial, aquilo que na vida dos Pastorinhos h� de autenticidade evang�lica, de bem-aventuran�a, de ensinamento que � revelado aos pobres e aos humildes aos que t�m um cora��o de crian�a. Em todos os sectores, dum modo simples e coordenado, deve ser aplicado e assumido em vida concreta, as linhas de for�a da santidade dos Pastorinhos. Todos, dum modo particular as crian�as, os adolescentes e os jovens, os que frequentam a catequese, as aulas de Religi�o e Moral, t�m que ser ouvintes privilegiados da mensagem viva da santidade das duas crian�as a quem Nossa Senhora apareceu na Cova da Iria. E o cora��o das crian�as e dos simples sabem acolher essa mensagem, est�o sedentos dela. Que a nossa pastoral n�o os deixe com fome.

Mensagens teol�gicas
O que Nossa Senhora lhes ensinou, o que eles viveram, o que nos transmitiram, tem fundamento b�blico e teol�gico. Os temas do amor misericordioso, da salva��o, do pecado, do c�u, do inferno, da solidariedade em Corpo M�stico, da Eucaristia como centro da vida, da import�ncia duma ora��o viva e frequente, da repara��o e do sentido redentor da vida, da Igreja e do nosso servi�o eclesial, do lugar do Papa e do seu Magist�rio, da preocupa��o com a salva��o dos outros, s�o temas, ou melhor, s�o realidades, que a beatifica��o quer fazer entrar mais na nossa pastoral prof�tica, evangelizadora, caritativa, social, lit�rgica, santificadora.
Afinal tudo na vida dos pastorinhos teve um sentido pastoral, pois alargaram o cora��o � dimens�o da Igreja e do mundo, sofriam e rezavam por todos. E n�o esqueceram nunca, antes pelo contr�rio, aquilo que � o mais importante para dinamizar a Pastoral, o amor concreto, activo, sincero e dedicado pelos outros.

Sugest�es concretas
Aqui ficam algumas sugest�es.
1� Grupos de ora��o, que estudem e rezem ao jeito dos Pastorinhos, ao jeito do que o Anjo e Nossa Senhora lhes ensinaram, estudando o valor das f�rmulas e o seu sentido teol�gico, sobretudo do ter�o.
2� Grupos de reflex�o sobre o conte�do das principais mensagens da Senhora, ou seja, da teologia de F�tima e das suas mensagens, que s�o duma import�ncia capital para a pastoral moderna.
3� Dinamiza��o duma pastoral dos doentes e de todos os que sofrem, em que os beatos sejam apresentados como modelos de colabora��o na reden��o, atrav�s dos seus sofrimentos e da oferta das dores e das penit�ncias.
4� Ajudar a que as peregrina��es a F�tima e as devo��es marianas, a viv�ncia do m�s de Maio, sejam menos "piedosas" mas mais teol�gicas, mais b�blicas, mais catequ�ticas, mais caminho para Jesus, �nico Salvador.
5� Aprender com os Pastorinhos, como verdadeiros modelos, a grandeza do baptismo, o sentido crist�o de perten�a � Igreja, do servi�o e do amor � Igreja, da colabora��o activa na Igreja, da leitura e reflex�o dos documentos do Magist�rio.
6� Que se n�o deixe nunca na sombra a maneira caridosa, duma actividade invulgar, como os Pastorinhos viveram. O fruto da ora��o tem de ser a caridade. F�tima tem que nos converter ao amor dos outros, como eles fizeram dum modo iminente.
7� Com os Pastorinhos aprender a viver e a rezar em fam�lia, construindo "igrejas dom�sticas", vivas pelo amor, pela ora��o em comum, pela pr�tica dos sacramentos, pela ac��o apost�lica junto de outras fam�lias. Dinamizar a Consagra��o das Fam�lias.
8� Mesmo que nos custe, n�o deixar nunca cair por terra a evangeliza��o acerca do sentido do pecado, da ofensa ao amor, da necessidade de convers�o quotidiana, sempre aliada ao sentido da miseric�rdia e da necessidade da Reconcilia��o.
9� Redescobrir, com os Pastorinhos, o sentido evang�lico e teol�gico da penit�ncia, por um lado t�o necess�ria, por outro t�o pouco apreciada pelo mundo de hoje.
10� N�o silenciar os ensinamentos dos Pastorinhos, ou melhor do C�u atrav�s deles, de realidades importantes, como a lux�ria, o valor da castidade e do pudor, o sentido crist�o do corpo e da sexualidade.
11� Promover sempre mais, e dum modo verdadeiramente eclesial, a devo��o eucar�stica; n�o s� a participa��o na Eucaristia, mas tamb�m todos os outros modos de viver centrados em Jesus Eucaristia, na adora��o, na sua presen�a em sacr�rio, etc.
12� Cultivar, ao jeito dos Pastorinhos, o amor � natureza, o sentido ecol�gico da vida, o respeito pelo mundo criado por Deus, procurando descobrir Deus em tudo e encontrar tudo em Deus.
Que estas sugest�es, que nos centram em modos concretos de ac��o pastoral a partir da beatifica��o e da vida e exemplo dos Pastorinhos, nos possam levar ainda mais longe, num desafio constante duma nova evangeliza��o a partir de F�tima e da sua mensagem.

Padre D�rio Pedroso, s.j.