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No pr�ximo dia treze de Maio o Papa Jo�o Paulo II estar� em F�tima para a� celebrar a beatifica��o dos dois pastorinhos - Francisco e Jacinta Marto que, em 1917, juntamente com a sua prima L�cia, ainda vida e com 93 anos de idade, viram Nossa Senhora na cova da Iria.
Esta acto de "beatifica��o" � um acto do magist�rio do Papa, isto �, do seu poder de ensinar e santificar, confiado por Jesus Cristo. Faz parte desse poder este acto de declarar que determinadas pessoas j� falecidas est�o na gl�ria da Bem aventuran�a celeste, gozam do poder de intercess�o junto de Deus, e s�o modelos seguros de vida crist�, propostos � imita��o dos fi�is. Evidentemente que o n�mero de pessoas declaradas bem aventuradas ou beatificadas canonicamente � muito reduzido em compara��o com as que se encontram na gl�ria eterna. A Igreja s� estuda os casos daquelas pessoas que se destacaram pela exemplaridade de vida ou hero�smo e que a comunidade crist� estima como tais.
� um processo rigoroso, mesmo minucioso e geralmente longo, de muito anos. O estudo come�a na Diocese de origem das pessoas recolhendo os dados da sua vida, as informa��es do seu equil�brio ps�quico e sensatez (os deficientes est�o no c�u, mas nunca s�o modelos, por a sua intelig�ncia e vontade deficientes n�o permitirem o cultivo de virtudes pessoais), e, quando hajam escrito algo, j� publicado ou in�dito, todos esses escritos s�o examinados por te�logos exigentes, a fim de se verificar se h� fidelidade ao que a Igreja ensina oficialmente. (Veja-se o trabalho de um processo como o de Pio XII, que escreveu milhares de p�ginas!).
Reconhecidos esses preliminares, � necess�rio demonstrar depois que as virtudes das pessoas em exame foram cultivadas em "grau her�ico", isto �, muito acima do normal, aquilo que se exige de qualquer crist�o. Desse exame consta a qualidade das virtudes teologais (F�, Esperan�a, Caridade), das virtudes cardeais (Fortaleza, Justi�a, Temperan�a, Prud�ncia), e tudo aquilo que se relaciona com os "deveres de estado" da pessoa, isto �, a condi��o de casado ou solteiro, de pai ou m�e, de religioso ou padre, da respectiva profiss�o (m�dico, advogado, juiz, militar, agricultor, professor, etc.). � que a santidade crist�, de que o "beato" ou "santo", � modelo, tem de ser uma encarna��o do amor concreto a Deus e ao pr�ximo, insepar�vel nos dois p�los, sem o que se trataria de sonhadores, possivelmente bem intencionados, mas alheios ao mundo real. E � aqui, no mundo real do dia a dia, que se fazem os crist�os santos: "Pai, n�o pe�o que os tires do mundo, mas que os livres do mal". Assim pedira e propusera Jesus Cristo.
No caso dos dois pastorinhos havia uma dificuldade original: Como � que uma crian�a pode ser her�ica na sua virtude? Haver� nela sensatez, serenidade bastante, equil�brio da vontade e capacidade de racioc�nio para poder ser apresentada � Igreja? S�o perguntas s�rias e preliminares, que foram satisfeitas at� pelos estudos sobre Psicologia Infantil, feitos por outras raz�es, e que acabaram por ajudar no estudo can�nico destas causas.
H� dias, numa entrevista breve com a L�cia, carmelita em Coimbra, foi vis�vel a sa�de mental e at� o humor humano daquela mulher, quer acerca de si mesma, quer dos dois primos, agora beatificados. O Francisco, dizia ela, n�o chegou a aprender a escrever porque, por um lado, ele dizia que ia em breve para o C�u, como a Senhora garantiu, e l� n�o precisava disso, e por outro, continuou a L�cia, porque o professor era maneta e n�o ensinava a escrita�.
O acto a que o Papa vai proceder � um acto adulto, humana e religiosamente falando, e h�-de ter reflexos na vida das crian�as e comportamento dos pais.D. Joaquim Gon�alves
Bispo de Vila Real