|
|
Alocu��o do Santo Padre
Senhor Bispo de Leiria-F�tima, Dom Alberto, Senhores Cardeais, Arcebispos e Bispos Amados irm�os e irm�s, peregrinos de Nossa Senhora de F�tima!
Sentimo-nos bem aqui neste Solar de Maria... Esta multid�o inumer�vel de peregrinos com as velas da f� acesas e o ter�o nas m�os confirma-me que cheguei a F�tima, ao Santu�rio da M�e de Deus e dos homens. Senhor Dom Alberto, ao pastorear esta diocese aben�oada, cabe-lhe fazer as honras da casa. Muito obrigado pela sua cordial sauda��o de boas vindas. Venho ajoelhar-me mais uma vez aos p�s de Nossa Senhora de F�tima, agradecer-lhe o Seu desvelo sobre os caminhos dos homens e das na��es e as maravilhas e b�n��os do Todo-Poderoso realizadas n' Ela, a Omnipot�ncia suplicante. Viva sempre em vossos cora��es Jesus Cristo, qual facho luminoso a indicar o caminho da Terra Prometida!
1 �Salv�, o M�e Santa: V�s destes � luz o rei que governa o c�u e a terra pelos s�culos sem fim!�
(Solenidade da M�e de Deus: ant�fona de entrada)
Naquele memor�vel dia 25 de Mar�o de 1984, V�s, o M�e Santa, dignastes-vos fazer-nos a gra�a da Vossa visita a nossa Casa, a Bas�lica de S�o Pedro, para quase visivelmente depormos no Vosso Cora��o Imaculado o nosso Acto de consagra��o do mundo, da grande fam�lia humana, de todos os povos.
Hoje, com esta multid�o de irm�os, vim junto do Vosso Trono aclamar-Vos: Salve, o M�e Santa! Salve, o Esperan�a segura que nunca decepciona! Totus Tuus, o M�e! Obrigado, Celeste Pastora, por terdes guiado com carinho maternal os povos para a liberdade! A V�s, Maria, totalmente dependente de Deus e orientada para Ele, ao lado do Seu e Vosso Filho, saudamos como �a �cone mais perfeita da liberdade e da liberta��o da humanidade e do universo� (Congr. Doutr. F�, Liberdade crist� e liberta��o, 9 7).
2. Estimados irm�os e irm�s:
A caminho do Al�m, impelidos pela for�a inexor�vel do tempo, temos necessidade de verificar o rumo, o sentido de Deus, para que os nossos passos de peregrino n�o esmore�am nem errem a estrada e os nossos ombros n�o carreguem outro fardo que n�o seja o de Jesus Cristo. Imp�e-se uma pausa, um momento de recolhimento, de transforma��o pessoal, de renova��o interior. F�tima, na sua mensagem e na sua b�n��o, � convers�o a Deus. Aqui se sente e testemunha a Reden��o do homem, pela intercess�o e com o auxilio d' Aquela que com o Seu p� virginal sempre esmagou e esmagar� a cabe�a da serpente antiga.
Aqui se pode encontrar o ponto de refer�ncia para o testemunho de muitos homens e mulheres que, em circunst�ncias dif�ceis e at� frequentemente na persegui��o e na dor, permaneceram fi�is a Deus, com os olhos e o cora��o postos na Virgem Maria, que � �a primeira entre os humildes e pobres do Senhor que confiadamente esperam a salva��o de Deus� (Lumen Gentium, 66). Nossa Senhora foi, com efeito, para multid�es de crentes, assim t�o dura-mente provados no infort�nio, o penhor por exce-l�ncia da sua fidelidade e a certeza da salva��o, visto que, �por Eva, foi fechada aos homens a porta do c�u, mas a todos foi de novo aberta por Maria�
(Laudes de Nossa Senhora: ant�fona do Benedictus).
Na verdade, �o n� da desobedi�ncia de Eva foi desatado pela obedi�ncia de Maria; e aquilo que a virgem Eva atou, com a sua incredulidade, a Virgem Maria desatou-o com a sua f� (Santo IRENEU, Adversus haereses, III, 22.4). F�, sim, na Palavra de Deus, f� incondicional, pronta e jubilosa, que a cena da Anuncia��o exprime com particular eloqu�ncia: �Eis a escrava do senhor, fa�a-se em mim segundo a Tua palavra�, (Lc. 1, 38). E o Verbo encarnou e habitou entre n�s! A Virgem Maria deu � luz um Filho, que as Escrituras Sagradas saudaram como o Emanuel, que significa Deus connosco (cf. Is. 7, 14; Mc. 1, 21-23).
3. � M�e do Emanuel, �mostrai-nos Jesus bendito fruto do Vosso ventre!�
Toda a vida de Maria, de cujo seio se desprendeu e brilhou �a Luz que ilumina todo o homem que vem a este mundo� (Jo. 1, 9), se desenrola em comunh�o intima com a de Jesus. �Levando, na terra, uma vida semelhante � do comum dos homens, cheia de cuidados dom�sticos e de trabalhos, Ela a todo o momento se mantinha unida a Seu Filho� (Apostolicam actuositatem, 4), permanecendo na intimidade com o mist�rio do Redentor. Ao longo deste caminho de colabora��o na obra redentora, a sua pr�pria maternidade �veio a conhecer uma transforma��o singular, sendo cada vez mais cumulada de 'caridade ardente' para com todos aqueles a quem se destinava a miss�o de Cristo� (Redemptoris Mater, 39), e para os quais e no Qual, se v� consagrada M�e, aos p�s da cruz: �Eis o teu filho�! Deste modo, tendo Ela gerado Cristo, Cabe�a do Corpo M�stico, deveria tamb�m gerar os membros do mesmo Corpo. Por isso �Maria abra�a, com a sua nova maternidade no Esp�rito, todos e cada um dos homens na Igreja; e abra�a tamb�m todos e cada um mediante a Igreja� (Redemptoris Mater, 47). A Igreja, por sua vez, n�o cessa de lhos consagrar. Exorto-vos, irm�os amados, a perseverar na devo��o a Maria. Quanto mais vivemos e progredimos na atitude de entrega, tanto mais Maria nos aproxima das �insond�veis riquezas de Cristo� (Ef. 3, 8) e, deste modo, nos possibilita reconhecermos cada vez mais, em toda a sua plenitude, a nossa dignidade e o sentido definitivo da nossa voca��o, porque �s� Cristo revela plenamente o homem a si pr�prio� (Gaudium et Spes, 22). Na maternidade espiritual de Maria, n�s somos adoptados como filhos no Filho, o primog�nito de muitos irm�os. Transcendemo-nos e libertamo-nos para formarmos uma fam�lia, aut�ntica comunidade humana, orientada para o seu destino �ltimo - o pr�prio Deus que �ser� tudo em todos� (1 Cor. 15, 28).
Maria, ajudai os vossos filhos, nestes anos de advento do terceiro mil�nio, a encontrarem, em Cristo, o caminho do regresso � Casa do Pai comum!
4. Salv�, � M�e Santa; V�s destes � luz o Rei que governa o c�u e a terra pelos s�culos sem fim�!
Nesta noite de Vig�lia, com as velas da f� acesas, a Igreja levanta para V�s uma ardente prece em favor dos homens, para que, com humilde disponibilidade e corajosa confian�a, eles possam guiar-se pelos caminhos da salva��o. � M�e amada, auxiliai-nos neste deserto, vazio de Deus, onde parecem perdidas a nossa gera��o e a gera��o dos seus filhos, para que finalmente reencontrem e repousem nas nascentes divinas das suas vidas.
No respeito das suas ra�zes crist�s e no desejo profundo de Jesus Cristo que se levanta no cora-��o dos homens, queremos agora encontrar os cami-nhos que os povos do continente europeu inteiro devem percorrer. Aben�oai, pois, M�e da Igreja e Senhora de F�tima, a pr�xima Assembleia especial do S�nodo dos Bispos para a Europa.
O facto de Nossa Senhora ter escolhido este pa�s para manifestar a Sua protec��o materna pela humanidade � uma garantia de que Portugal manter� o que de mais precioso tem: a f�.
A f�, luz suprema da humanidade! Que ela se reacenda cada vez mais forte e penetre as profundidades da alma deste povo querido e os diversos �mbitos socioculturais de seu viver! Que todos - adultos e anci�os, jovens e crian�as -, � imita��o do Vosso Cora��o Imaculado, se empenhem em perseverar num cora��o puro e firme, ao servi�o do Evangelho!
Acolhei, o M�e de Deus e M�e de todos os filhos de Eva, esta Vig�lia de Ora��o em vossa honra e para gl�ria da Sant�ssima Trindade, luz sem ocaso que os nossos passos demandam ansiosos e tantas vezes incertos. Virgem de F�tima, caminhai connosco! Rogai por n�s, pecadores, agora e na hora da nossa morte! Amen!