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Maria M�e de Cristo e M�e dos Homens
1. �E a partir daquele momento, o disc�pulo recebeu-A em sua casa� (Jo.19, 27). Com estas palavras termina o Evangelho da Liturgia de hoje, aqui em F�tima. O nome do disc�pulo era Jo�o. Precisamente ele, Jo�o, filho de Zebedeu, ap�stolo e evangelista, ouviu do alto da Cruz as palavras de Cristo: �Eis a tua M�e�. Anteriormente, Jesus tinha dito � pr�pria M�e: �Senhora, eis o Teu filho�.
Este foi um testamento maravilhoso.
Ao deixar este mundo, Cristo deu a Sua M�e um homem que fosse para Ela como um filho: Jo�o. A Ela o confiou. E, em consequ�ncia desta doa��o e deste acto de entrega, Maria tomou-se m�e de Jo�o. A M�e de Deus tornou-se M�e do homem.
E, a partir daquele momento, Jo�o �recebeu-A em sua casa�. Jo�o tornou-se tamb�m amparo terreno da M�e de seu Mestre; � direito e dever dos filhos, efectivamente, assumir o cuidado da m�e. Mas acima de tudo, Jo�o tornou-se por vontade de Cristo o filho da M�e de Deus. E, em Jo�o, todos e cada um dos homens d' Ela se tornaram filhos.
Santu�rios Marianos
2. �Recebeu-A em sua casa� - esta frase significa, literalmente, na sua habita��o. Uma manifesta��o particular da maternidade de Maria em rela��o aos homens s�o os lugares em que Ela se encontra com eles; as casas onde Ela habita; casas onde se sente uma presen�a toda particular da M�e.
Estes lugares e estas casas s�o numeros�ssimos. E s�o de uma grande variedade: desde os orat�rios nas habita��es e dos nichos ao longo das estradas, onde sobressai luminosa a imagem da Santa M�e de Deus, at� �s capelas e �s igrejas constru�das em sua honra. H�, por�m, alguns lugares, nos quais os homens sentem particularmente viva a presen�a da M�e. N�o raro, estes locais irradiam amplamente a sua luz e atraem a si a gente de longe. O seu c�rculo de irradia��o pode estender-se ao �mbito de uma diocese, a uma na��o inteira, por vezes a v�rios pa�ses e at� aos diversos continentes. Estes lugares s�o os santu�rios marianos.
Em todos estes lugares realiza-se de maneira admir�vel aquele testamento singular do Senhor Crucificado: a�, o homem sente-se entregue e confiado a Maria e vem para estar com Ela, como se est� com a pr�pria M�e. Abre-Lhe o seu cora��o e fala-Lhe de tudo: �recebe-A em sua casa�, dentro de todos os seus problemas, por vezes dif�ceis. Problemas pr�prios e de outr�m. Problemas das fam�lias, das sociedades, das na��es, da humanidade inteira.
�Tu �s a honra do nosso povo�
3. N�o sucede assim, porventura, no santu�rio de Lourdes na Fran�a? N�o � igualmente assim, em Jasna Gora em terras polacas, no santu�rio do meu Pa�s, que este ano celebra o seu jubileu dos seiscentos anos?
Parece que tamb�m l�, como em tantos outros santu�rios marianos espalhados pelo mundo, com uma for�a de autenticidade particular, ressoam estas palavras da Liturgia do dia de hoje:
�Tu �s a honra do nosso povo� (Jdt. 15, 10); e tamb�m aquelas outras:
�Perante a humilha��o da nossa gente,
... aliviaste o nosso abatimento, com a tua rectid�o, na presen�a do nosso Deus� (Jdt. 13, 20). Estas palavras ressoam aqui em F�tima quase como eco particular das experi�ncias vividas n�o s� pela Na��o portuguesa, mas tamb�m por tantas outras na��es e povos que se encontram sobre a face da terra; ou melhor, elas s�o o eco das experi�ncias de toda a humanidade contempor�nea, de toda a fam�lia humana.
Agradecer � Divina Provid�ncia
4. Venho hoje aqui, porque exactamente neste mesmo dia do m�s, no ano passado, se dava, na Pra�a de S�o Pedro, em Roma, o atentado � vida do Papa, que misteriosamente coincidia com o anivers�rio da primeira apari��o em F�tima, a qual se verificou a treze de Maio de 1917. Estas datas encontraram-se entre si de tal maneira que me pareceu reconhecer nisso um chamamento especial para vir aqui. E eis que hoje aqui estou. Vim para agradecer � Divina Provid�n-cia, neste lugar, que a M�e de Deus parece ter escolhido de modo t�o particular. �Misericordiae Domini, quia non sumus consum-pti� - Foi gra�as ao Senhor que n�o fomos aniquilados (Lam. 3,22) - repito uma vez mais com o Profeta.
Vim, efectivamente, sobretudo para aqui proclamar a gl�ria do mesmo Deus:
�Bendito seja o Senhor Deus, Criador do C�u e da Terra�, quero repetir com as palavras da Liturgia de hoje (Jdt. 13,18).
E ao Criador do C�u e da Terra elevo tamb�m aquele especial hino de gl�ria, que � Ela pr�pria: a M�e Imaculada do Verbo Encamado: �Aben�oada sejas, minha filha, pelo Deus Alt�ssimo
Mais do que todas as mulheres sobre a Terra...
A confian�a que tiveste n�o ser� esquecida pelos homens,
E eles h�o-de recordar sempre o poder de Deus.
Assim Deus te enalte�a eternamente� (Jdt. 13, 18-20).
Na base deste canto de louvor, que a Igreja entoa com alegria, aqui como em tantos lugares da terra, est� a incompar�vel escolha de uma filha do g�nero humano para ser M�e de Deus. E por isso seja sobretudo adorado Deus: Pai, Filho e Esp�rito Santo.
Seja bendita e venerada Maria, prot�tipo da Igreja, enquanto �habita��o da Sant�ssima Trindade�.
A maternidade espiritual de Maria
5. A partir daquele momento em que Jesus, ao morrer na Cruz, disse a Jo�o - �Eis a tua M�e�, e a partir do momento em que o disc�pulo �A recebeu em sua casa�, o mist�rio da maternidade espiritual de Maria teve a sua realiza��o na hist�ria com uma amplid�o sem limites. Maternidade quer dizer solicitude pela vida do filho. Ora se Maria � M�e de todos os homens, o seu desvelo pela vida do homem reveste-se de um alcance universal. A dedica��o de qualquer m�e abrange o homem todo. A maternidade de Maria tem o seu in�cio nos cuidados matemos para com Cristo. Em Cristo, aos p�s da Cruz, Ela aceitou Jo�o e, nele, aceitou todos os homens e o homem totalmente. Maria a todos abra�a, com uma solicitude particular, no Esp�rito Santo. � Ele, efectivamente, �Aquele que d� a vida�, como professamos no Credo. � Ele que d� a plenitude da vida, com abertura para a eternidade.
A maternidade espiritual de Maria �, pois, participa��o no poder do Esp�rito Santo, no poder d' Aquele �que d� a vida�. E �, ao mesmo tempo, o servi�o humilde d' Aquela que diz de si mesma: �Eis a serva do Senhor� (Lc. 1, 38).
� luz do mist�rio da maternidade espiritual de Maria, procuremos entender a extraordin�ria mensagem que, daqui de F�tima, come�ou a ressoar pelo mundo todo, desde o dia treze de Maio de 1917 e que se prolongou durante cinco meses, at� ao dia treze de Outubro do mesmo ano.
Uma verdade e um chamamento
6. A Igreja ensinou sempre, e continua a proclamar, que a revela��o de Deus foi levada � consuma��o em Jesus Cristo, que � a plenitude da mesma, e que �n�o se h�-de esperar nenhuma outra revela��o p�blica, antes da gloriosa manifesta��o de nosso Senhor Jesus Cristo� (Const. Dei Verbum, 4). A mesma Igreja aprecia e julga as revela��es privadas segundo o crit�rio da sua conformidade com aquela �nica Revela��o p�blica.
Assim, se a Igreja aceitou a mensagem de F�tima, � sobretudo porque esta mensagem cont�m uma verdade e um chamamento que, no seu conte�do fundamental, s�o a verdade e o chamamento do pr�prio Evangelho.
�Convertei-vos (fazei penit�ncia) e acreditai na Boa-Nova� (Mc. 1, 15): s�o estas as primeiras palavras do Messias dirigidas � humanidade. E a mensagem de F�tima, no seu n�cleo fundamental, � o chamamento � convers�o e � penit�ncia, como no Evangelho. Este chamamento foi feito nos in�cios do s�culo vinte e, portanto, foi dirigido, de um modo particular a este mesmo s�culo. A Senhora da mensagem parecia ler, com uma perspic�cia especial, os �sinais dos tempos�, os sinais do nosso tempo.
O apelo � penit�ncia � um apelo maternal; e, ao mesmo tempo, � en�rgico e feito com decis�o. A caridade que �se congratula com a verdade� (1 Cor. 13, 6) sabe ser clara e firme. O chamamento � penit�ncia, como sempre, anda unido ao chamamento � ora��o. Em conformidade com a tradi��o de muitos s�culos, a Senhora da mensagem de F�tima indica o ter�o - o ros�rio - que bem se pode definir como �a ora��o de Maria�: a ora��o na qual Ela se sente particularmente unida connosco. Ela pr�pria reza connosco. Com esta ora��o do ter�o se abrangem os problemas da Igreja, da S� de Pedro, os problemas do mundo inteiro. Al�m disto, recordam-se os pecadores, para que se convertam e se salvem, e as almas do Purgat�rio.
As palavras da mensagem foram dirigidas a crian�as, cuja idade ia dos sete aos dez anos. As crian�as, como Bernardette de Lourdes, s�o particularmente privilegiadas nestas apari��es da M�e de Deus. Daqui deriva o facto de tamb�m a sua linguagem ser simples, de acordo com a capacidade de compreens�o infantil. As criancinhas de F�tima tomaram-se as interlocutoras da Senhora da mensagem e tamb�m as suas colaboradoras. Uma delas ainda est� viva.
Mensagem de salva��o
7. Quando Jesus disse do alto da Cruz: �Senhora, eis o Teu filho� (Jo. 19, 26), abriu, de maneira nova, o Cora��o da Sua M�e, o Cora��o Imaculado, e revelou-Lhe a nova dimens�o do amor e o novo alcance do amor a que Ela fora chamada, no Esp�rito Santo, em virtude do Sacrif�cio da Cruz.
Nas palavras da mensagem de F�tima parece-nos encontrar precisamente esta dimens�o do amor materno, o qual, com a sua amplitude, abrange todos os caminhos do homem em direc��o a Deus: tanto aqueles que seguem sobre a terra, como aqueles que, atrav�s do Purgat�rio, levam para al�m da terra. A solicitude da M�e do Salvador, identifica-se com a solicitude pela obra da salva��o: a obra do seu Filho. � solicitude pela salva��o, pela eterna salva��o de todos os homens. Ao completarem-se sessenta e cinco anos depois daquele dia treze de Maio de 1917 � dif�cil n�o descobrir como este amor salv�fico da M�e abra�a na sua amplitude, de um modo particular, o nosso s�culo.
� luz do amor materno, n�s compreendemos toda a mensagem de Nossa Senhora de F�tima. Aquilo que se op�e mais directamente � caminhada do homem em direc��o a Deus � o pecado, o perseverar no pecado, enfim, a nega��o de Deus. A programada supress�o de Deus do mundo do pensamento humano. A separa��o d'Ele de toda a actividade terrena do homem. A rejei��o de Deus por parte do homem. Na verdade, a salva��o eterna do homem somente em Deus se encontra. A rejei��o de Deus por parte do homem, se se tornar definitiva, logicamente conduz � rejei��o do homem por parte de Deus (cf. Mt 7, 23; 10, 33), � condena��o.
Poder� a M�e, que deseja a salva��o de todos os homens, com toda a for�a do seu amor que alimenta no Esp�rito Santo, poder� Ela ficar calada acerca daquilo que mina as pr�prias bases desta salva��o? N�o, n�o pode!
Por isso a mensagem de Nossa Senhora de F�tima, t�o maternal, se apresenta ao mesmo tempo t�o forte e decidida. At� parece severa. � como se falasse Jo�o Baptista nas margens do rio Jord�o. Exorta � penit�ncia. Adverte. Chama � ora��o. Recomenda o ter�o, o ros�rio.
Esta mensagem � dirigida a todos os homens. O amor da M�e do Salvador chega at� onde quer que se estenda a obra da salva��o. E objecto do Seu desvelo s�o todos os homens da nossa �poca e, ao mesmo tempo, as sociedades, as na��es e os povos. As sociedades amea�adas pela apostasia, amea�adas pela degrada��o moral. A derrocada da moralidade traz consigo a derrocada das sociedades.
O Cora��o de Maria, caminho de reden��o
8. Cristo disse do alto da Cruz: �Senhora, eis o Teu filho�. E, com tais palavras, abriu, de um modo novo, o Cora��o da Sua M�e.
Pouco depois, a lan�a do soldado romano trespassou o lado do Crucificado. Aquele cora��o trespassado tomou-se o sinal da reden��o, realizada mediante a morte do Cordeiro de Deus.
O Cora��o Imaculado de Maria aberto pelas palavras - �Senhora, eis o Teu filho� - encontra-se espiritualmente com o Cora��o do Filho trespassado pela lan�a do soldado. O Cora��o de Maria foi aberto pelo mesmo amor para com o homem e para com o mundo com que Cristo amou o homem e o mundo, oferecendo-Se a Si mesmo por eles, sobre a Cruz, at� �quele golpe da lan�a do soldado. Entregar e confiar o mundo ao Cora��o Imaculado de Maria significa aproximar-nos, mediante a intercess�o da M�e, da pr�pria Fonte da Vida, nascida no G�Igota. Este Manancial escorre ininterruptamente, dele brotando a reden��o e a gra�a. Nele se realiza continuamente a repara��o pelos pecados do mundo. Tal Manancial escorre ininterruptamente, dele brotando a reden��o e a gra�a. Nele se realiza continuamente a repara��o pelos pecados do mundo. Tal Manancial � sem cessar Fonte de vida nova e de santidade.
Entregar e confiar o mundo ao Imaculado Cora��o da M�e significa voltar de novo junto da Cruz do Filho. Mais quer dizer, ainda: entregar este mundo ao Cora��o trespassado do Salvador, reconduzindo-o � pr�pria fonte da Reden��o. A Reden��o � sempre maior do que o pecado do homem e do que �o pecado do mundo�. A for�a da Reden��o supera infinitamente toda a esp�cie de mal, que est� no homem e no mundo.
O Cora��o da M�e est� ciente disso, como nenhum outro cora��o em todo o cosmos, vis�vel e invis�vel.
E para isso faz a chamada.
Chama n�o somente � convers�o. Chama-nos a que nos deixemos auxiliar por Ela, como M�e, para voltarmos novamente � fonte da Reden��o.
Consagra��o do mundo e do homem
9. Entregar-se e confiar-se a Maria Sant�ssima significa recorrer ao seu aux�lio e oferecermo-nos a n�s mesmos e oferecer a humanidade �quele que � Santo, infinitamente Santo; valer-se do seu aux�lio - recorrendo ao seu Cora��o de M�e aberto, junto da Cruz, ao amor para com todos os homens e para com o mundo inteiro - para oferecer o mundo, e o homem, e a humanidade, e todas as na��es �quele que � infinitamente Santo. A santidade de Deus manifestou-se na reden��o do homem, do mundo, da inteira humanidade e das na��es: reden��o esta que se realizou mediante o sacrif�cio da Cruz. �Por eles, Eu consagro-me a Mim mesmo� (Jo. 17, 19).
O mundo e o homem foram consagrados com o poder da Reden��o. Foram confiados �quele que � infinitamente Santo. Foram oferecidos e entregues ao pr�prio Amor, ao Amor misericordioso.
A M�e de Cristo chama-nos e exorta-nos a unir-nos � Igreja do Deus vivo, nesta consagra��o do mundo, neste acto de entrega mediante o qual o mesmo mundo, a humanidade, as na��es e todos e cada um dos homens s�o oferecidos ao Eterno Pai, envoltos com a virtude da Reden��o de Cristo. S�o oferecidos no Cora��o do Redentor trespassado na Cruz.
A M�e do Redentor chama-nos, convida-nos e ajuda-nos para nos unirmos a esta consagra��o, a este acto de entrega do mundo. Ent�o encontrar-nos-emos, de facto, o mais pr�ximo poss�vel do Cora��o de Cristo trespassado na Cruz.
Na sequ�ncia de Pio XII e de Paulo VI
10. O conte�do do apelo de Nossa Senhora de F�tima est� t�o profundamente radicado no Evangelho e em toda a Tradi��o que a Igreja se sente interpelada por essa mensagem.
Ela respondeu � interpela��o mediante o Servo de Deus Pio XII (cuja ordena��o episcopal se realizara precisamente a treze de Maio de 1917), o qual quis consagrar ao Imaculado Cora��o de Maria o g�nero humano e especialmente os Povos da R�ssia. Com essa consagra��o n�o ter� ele, porventura, correspondido � eloqu�ncia evang�lica do apelo de F�tima?
O Conc�lio Vaticano II, na Constitui��o Dogm�tica sobre a Igreja (Lumen Gentium) e na Constitui��o Pastoral sobre a Igreja no Mundo Contempor�neo (Gaudium et Spes), explicou amplamente as raz�es dos la�os que unem a Igreja ao mundo de hoje. Ao mesmo tempo, os seus ensinamentos sobre a presen�a especial de Maria no mist�rio de Cristo e da Igreja maturaram no acto com que Paulo VI, ao chamar a Maria tamb�m M�e da Igreja, indicava de maneira mais profunda o car�cter da sua uni�o com a mesma Igreja e da sua solicitude pelo mundo, pela humanidade, por cada um dos homens e por todas as na��es: a sua maternidade.
Deste modo, foi ainda mais aprofundada a compreens�o do sentido da entrega que a Igreja � chamada a fazer, recorrendo ao aux�lio do Cora��o da M�e de Cristo e nossa M�e.
De novo, entregar e confiar o mundo ao Cora��o da M�e
11. E como � que se apresenta hoje diante da Santa M�e que gerou o Filho de Deus, no seu Santu�rio de F�tima, Jo�o Paulo II, sucessor de Pedro e continuador da obra de Pio, de Jo�o e de Paulo e particular herdeiro do Concilio Vaticano II?
Apresenta-se com ansiedade, a fazer a re-leitura daquele chamamento materno � penit�ncia e � convers�o, daquele apelo ardente do Cora��o de Maria, que se fez ouvir aqui em F�tima, h� sessenta e cinco anos. Sim, rel�-o, com o cora��o amargurado, porque v� quantos homens, quantas sociedades e quantos crist�os foram indo em direc��o oposta �quela que foi indicada pela mensagem de F�tima. O pecado adquiriu assim um forte direito de cidadania e a nega��o de Deus difundiu-se nas ideologias, nas concep��es e nos programas humanos!
E precisamente por isso, o convite evang�lico � penit�ncia e � convers�o, expresso com as palavras da M�e, continua ainda actual. Mais actual mesmo do que h� sessenta e cinco anos atr�s. E at� mais urgente. � por isso tamb�m que tal convite ser� o assunto do pr�ximo S�nodo dos Bispos, no ano que vem, S�nodo para o qual j� nos estamos a preparar.
O sucessor de Pedro apresenta-se aqui tamb�m como testemunha dos imensos sofrimentos do homem, como testemunha das amea�as, quase apocal�pticas, que pesam sobre as na��es e sobre a humanidade. E procura abra�ar esses sofrimentos com o seu fraco cora��o humano, ao mesmo tempo que se p�e bem diante do mist�rio do Cora��o: do Cora��o da M�e, do Cora��o Imaculado de Maria. Em virtude desses sofrimentos, com a consci�ncia do mal que alastra pelo mundo e amea�a o homem, as na��es e a humanidade, o sucessor de Pedro apresenta-se aqui com uma f� maior na reden��o do mundo: f� naquele Amor salv�fico que � sempre maior, sempre mais forte do que todos os males.
Assim, se, por um lado, o cora��o se confrange, pelo sentido do pecado do mundo, bem como pela s�rie de amea�as que aumentam no mundo, por outro lado, o mesmo cora��o humano sente-se dilatar com a esperan�a ao p�r em pr�tica uma vez mais aquilo que os meus Predecessores j� fizeram: entregar e confiar o mundo ao Cora��o da M�e, confiar-Lhe especialmente aqueles povos que, de modo particular, tenham necessidade disso. Este acto equivale a entregar e a confiar o mundo �quele que � Santidade infinita. Esta Santidade significa reden��o, significa amor mais forte do que o mal. Jamais algum �pecado, do mundo� poder� superar este Amor.
Uma vez mais. Efectivamente, o apelo de Maria n�o � para uma vez s�. Ele continua aberto para as gera��es que se renovam, para ser correspondido de acordo com os �sinais dos tempos� sempre novos. A ele se deve voltar incessantemente. H� que retom�-lo sempre de novo.
�Sinal grandioso: uma Mulher!�
12. Escreve o Autor do Apocalipse:
�Vi depois a cidade santa, a nova Jerusal�m, que descia do C�u, da presen�a de Deus, pronta como noiva adornada para o seu esposo. E, do trono, ouvi uma voz potente que dizia: Eis a morada de Deus entre os homens. Deus h�-de morar entre eles: eles mesmos ser�o o seu povo e Ele pr�prio - Deus-com-eles ser� o seu Deus� (Apoc.21, 2,ss).
A Igreja vive desta f�.
Com tal f� caminha o Povo de Deus.
�A morada de Deus entre os homens� j� est� sobre a terra.
E nela est� o Cora��o da Esposa e da M�e, Maria Sant�ssima, adornado com a j�ia da Imaculada Concei��o: o Cora��o da Esposa e da M�e, aberto junto da Cruz pela palavra do Filho, para um novo e grande amor ao homem e ao mundo. O Cora��o da Esposa e da M�e, c�nscio de todos os sofrimentos dos homens e das sociedades sobre a face da terra.
O Povo de Deus � peregrino pelos caminhos deste mundo na direc��o escatol�gica. Est� em peregrina��o para a eterna Jerusal�m, para a �morada de Deus entre os homens�.
L�, onde Deus �h�-de enxugar-lhes dos olhos todas as l�grimas; a morte deixar� de existir, e n�o mais haver� luto, nem clamor, nem fadiga. O que havia anteriormente desapareceu� (cf. Apoc. 21,4).
Mas �o que havia anteriormente� ainda perdura. E � isso precisamente que constitui o espa�o temporal da nossa peregrina��o.
Por isso, olhemos para �Aquele que est� sentado no trono� que diz: �Vou renovar todas as coisas (cf. ibid. v. 5).
E juntamente com o Evangelista e Ap�stolo procuremos ver com os olhos da f� �o novo c�u e a nova terra�, porque o �primeiro c�u e a primeira terra� j� passaram.
Entretanto, at� agora, �o primeiro c�u e a primeira terra� continuam, estando sempre � nossa volta e dentro de n�s. N�o podemos ignor�-lo. Isso permite-nos, no entanto, reconhecer que gra�a imensa foi concedida ao homem quando, no meio deste peregrinar, no horizonte da f� dos nossos tempos, se acendeu esse �Sinal grandioso: uma Mulher!� (Apoc. 12, 1).
Sim, verdadeiramente podemos repetir: �Aben�oada sejas, filha, pelo Deus alt�ssimo, mais que todas as mulheres sobre a Terra!
... Procedendo com rectid�o, na presen�a do nosso Deus,
... Aliviaste o nosso abatimento�.
Verdadeiramente, Bendita sois V�s!
Sim, aqui e em toda a Igreja, no cora��o de cada um dos homens e no mundo inteiro: sede bendita, Maria, nossa M�e dulc�ssima!