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Raz�o De Uma Presen�a
Senhor Bispo de Leiria, D. Alberto Cosme do Amaral, Senhores Cardeais, Arcebispos e Bispos, meus amados irm�os e irm�s:
1. Seja louvado nosso Senhor Jesus Cristo!
E sua M�e Maria Sant�ssima!
Sim, com Ela e por Ela, irrompe do meu cora��o neste momento, a prece tantas vezes aqui rezada e cantada: �Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos!�
Vai para a Trindade Sant�ssima este meu primeiro pensamento adorador, explicitado, nesta terra aben�oada de F�tima: Bendito seja Deus, rico em miseric�rdia, pelo grande amor com que nos amou! Com efeito, criados em seu Verbo, o Filho, pelo sangue do mesmo Filho reconciliados, tornados sua fam�lia e edificados sobre o alicerce dos Ap�stolos na constru��o (da Igreja), para nos tornarmos, pelo Esp�rito Santo, habita��o de Deus (cf. Ef. 2, 4 ss.), n�s devemos repetir sem cessar: �Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos!� Av� Maria!
Bendita sois V�s! Bendito o fruto do vosso ventre, Jesus! Av�, cheia de gra�a, M�e de Deus e M�e nossa! No cumprimento da vossa profecia, Senhora, aqui, ao ingressar neste vosso solar de F�tima, e ao saudar-Vos, M�e querida, permiti-me usar as palavras que nos ensinastes, para clamar diante dos irm�os:
�A minha alma glorifica ao Senhor, e o meu esp�rito se alegra em Deus, meu Salvador! � (Lc.1,46)
2. E agora irm�os e irm�s todos que me ouvis: eu vos sa�do cordialmente, com todo o afecto vos dou um fraterno abra�o de paz e vos confesso a minha grande alegria por este encontro, neste lugar e convosco; e, nesta alegria, desejava que v�sseis toda a gratid�o que me vai na alma, gratid�o que me trouxe aqui, para compartilhar convosco, n�o s� o Evangelho de Deus, mas a pr�pria vida (cf. Tess. 2, 8).
Sim, � com a alma a transbordar destes sentimentos - os vossos pr�prios sentimentos, ali�s - que vos agrade�o. Obrigado, Senhor Bispo de Leiria, por ter explicitado esses sentimentos, pelas palavras delicadas de sauda��o e pelos reiterados convites que me fez para visitar este Santu�rio de F�tima; obrigado a todos, pelo caloroso e penhorante acolhimento que me dispensais!
Gratid�o, comunh�o, vida!
3. Gratid�o, comunh�o, vida! Nestas tr�s palavras est� a explica��o da minha presen�a aqui, neste dia; e se me permitis, tamb�m da vossa presen�a. Aqui atinjo o ponto culminante da minha viagem a Portugal. Quero fazer-vos uma confid�ncia:
Desde h� muito que eu tencionava vir a F�tima, conforme j� tive ocasi�o de dizer � minha chegada a Lisboa; mas, desde que se deu o conhecido atentado na Pra�a de S�o Pedro, h� um ano atr�s, ao tomar consci�ncia, a meu pensamento voltou-se imediatamente para este Santu�rio, para depor no cora��o da M�e celeste o meu agradecimento, por me ter salvo do perigo. Vi em tudo o que foi sucedendo - n�o me canso de o repetir - uma especial protec��o materna de Nossa Senhora. E por coincid�ncia - e n�o h� meras coincid�ncias nos des�gnios da Provid�ncia divina - vi tamb�m um apelo e, qui��, uma chamada de aten��o para a mensagem que daqui partiu, h� sessenta e cinco anos, por interm�dio de tr�s crian�as, filhas de gente humilde do campo, os pastorinhos de F�tima, como s�o conhecidos universalmente.
Peregrino entre peregrinos
4. E aqui estou, convosco, peregrino entre peregrinos, nesta assembleia da Igreja peregrina, da Igreja viva, santa e pecadora, para �louvar o Senhor, porque � eterna a sua miseric�rdia� (SI. 135, 1); pessoalmente, para cantar essa miseric�rdia, pois foi �gra�as ao Senhor que n�o fui aniquilado; sim, n�o se esgotou a sua miseric�rdia� (Lam. 3,22). Desejo repetir hoje, uma vez mais, diante de v�s, amados irm�os e irm�s, estas palavras, que dizia na primeira audi�ncia ap�s o atentado (7 de Outubro de 1981); elas exprimem, em eco, aquilo que sucedeu naquele dia treze de Maio do ano passado; exprimem gratid�o ao Alt�ssimo, a Nossa Senhora e M�e, aos Santos protectores e a todos os que, directa ou indirectamente, contribu�ram para me salvar a vida e me ajudaram a recuperar a sa�de.
Foi �gra�as ao Senhor que n�o fui aniquilado�: disse-o a primeira vez na festa de Nossa Senhora do Ros�rio; repito-o hoje, em F�tima, que tanto nos fala do ros�rio - da reza do ter�o - como diziam os pastorinhos. O ros�rio, o ter�o, � e permanecer� sempre uma ora��o de reconhecimento, de amor e de confiante s�plica: a ora��o da M�e da Igreja!
A devo��o do povo portugu�s � M�e de Deus
5. Venho em peregrina��o a F�tima como a maioria de v�s, amados peregrinos, com o ter�o na m�o, o nome de Maria nos l�bios e o c�ntico da miseric�rdia de Deus no cora��o: Ele tamb�m �a mim fez grandes coisas... A sua miseric�rdia se estende de gera��o em gera��o� (Lc. 1, 49-50). Ao preparar este meu encontro convosco, pude aquilatar bem da antiga e arreigada devo��o a Nossa Senhora entre v�s. Ela patenteia-se, bem claramente, n�o apenas nas grandes manifesta��es de f� ou nos grandes momentos da hist�ria do querido Povo portugu�s, mas tamb�m e sobretudo no quotidiano da vida e nos costumes das pessoas, das fam�lias, das comunidades, de molde a impregnar toda a sua cultura. Durante s�culos e, podemos talvez dizer, sempre entre a gente simples e humilde, no cerne ancestral de Portugal, se exprimiu uma v�lida interpreta��o da sua vasta cultura, l�ngua e h�bitos de vida atrav�s da religi�o e da vida crist�. Em certo sentido a vida estava centrada e organizada � volta dos acontecimentos religiosos; e a�, sempre em primeiro plano, a figura de Nossa Senhora. Foi motivo de alegria para mim colher tais informa��es. E agora � uma alegria ainda maior verificar com os pr�prios olhos esta vossa acendrada devo��o � M�e de Deus.
Sede leais convosco pr�prios, zelai a vossa heran�a de f�, de valores espirituais e de honestidade de vida, que recebestes dos vossos maiores, � luz e com as b�n��os de Maria Sant�ssima; � uma heran�a rica e boa. E quereis que vos ensine um �segredo� para a conservar? � simples e j� n�o � segredo: �rezai muito; rezai o ter�o todos os dias�.
O esp�rito e os frutos da peregrina��o
6. Gratid�o, comunh�o, vida: s�o os sentimentos que nos irmanam, peregrinos, aqui �reunidos no mesmo lugar�, n�s que formamos a gera��o actual da Igreja, para a qual j� foi Pentecostes; reunidos �com Maria, M�e de Jesus�, queremos aqui comprovar a nossa assiduidade ao �ensino dos Ap�stolos, � uni�o fraterna, � frac��o do p�o e �s ora��es� (cf. Act.2, 42).
Viemos em �esp�rito de ora��o e penit�ncia�, a este local j� honrado pela presen�a do meu Predecessor Paulo VI, de veneranda mem�ria, sempre viva e grata na nossa saudade; local santificado pelas preces e sacrif�cios de gera��es de romeiros a F�tima. E em sintonia de sentimentos, na sintonia da caridade, viemos sobretudo agradecer e implorar a miseric�rdia divina, sem deixar de elevar as nossas s�plicas a pedir fidelidade a Deus e fidelidade em Cristo aos homens nossos irm�os, a pedir a paz e o amor, no seio da Igreja, entre os que se professam crist�os e em toda a fam�lia humana.
Na jubilosa expectativa de concretizar tudo isto, completamente, na Santa Missa de amanh�, vivamos em cheio, desde agora, em Eucaristia, esta nossa peregrina��o, oferecendo-nos a Deus, pelo Cora��o Imaculado de Maria, em ac��o de gra�as e em disponibilidade; ofere�amos os nossos sacrif�cios em uni�o com Cristo redentor e, com a alma em prece de expia��o e propicia��o, repitamos: Senhor �Jesus, � por vosso amor, em repara��o dos pecados e pela convers�o dos pecadores� (3� apari��o - Julho, 1917).
Oxal� que amanh�, de regresso da nossa peregrina��o, ap�s estas horas de intimidade com Cristo, com o �Pai que est� nos c�us� e com Maria nossa M�e, vivificados pelo Esp�rito Santo �derramado em nossos cora��es� (cf. Rom. 5,5), partamos com alegria �louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo� (cf. Act.2,47); daqueles que n�o puderam vir e daqueles que n�o quiseram vir, para os quais vai toda a nossa simpatia, a nossa proposta de amor e a certeza das nossas preces.
Nas m�os de Maria
7. Sabeis, certamente, que desde a minha juventude cultivo a pr�tica crist� da peregrina��o e nas minhas viagens apost�licas, como Sucessor de S�o Pedro - desde o M�xico � Guin� Equatorial -, as visitas, como peregrino, aos Santu�rios Marianos, t�m sido, pessoalmente, dos momentos mais altos dos meus encontros com o Povo de Deus, disperso pela terra, e com os homens nossos irm�os na grande fam�lia humana. E � sempre com emo��o, a mesma emo��o da primeira vez, que deponho nas m�os de Maria Sant�ssima tudo o que de bem possa ter feito ou venha ainda a fazer ao servi�o da santa Igreja.
Nesta hora, aqui no Santu�rio de F�tima, quero repetir desde j�, perante todos v�s: TOTUS TUUS - �todo teu�, � M�e! Pe�o que me apresenteis, a mim e a todos estes irm�os, escondendo e cobrindo a nossa pobreza, com os vossos m�ritos e os do vosso divino Filho, ao � Pai das, miseric�rdias �, em preito de gratid�o. E que sejamos aceites, aben�oados e fortalecidos nos nossos bons prop�sitos, que queremos enla�ar, ideal ramo de flores, com fita �tecida. e dourada� por V�s, � M�e: fazer �tudo o que Ele (Cristo) nos disser (cf. Jo. 2,4).
Dai-nos a vossa b�n��o, Senhora, nossa querida M�e!